O projeto ICCO está a ser desenvolvido com o objetivo de avaliar, através da neurociência aplicada, a experiência do consumidor em lojas de comércio tradicional em Espanha e Portugal. A abordagem metodológica adotada permitiu analisar de forma aprofundada a forma como elementos como a conexão emocional, a atenção, a disposição dos produtos, a iluminação, a decoração e o espaço influenciam o comportamento do consumidor e a sua fidelização às lojas.

O estudo centrou-se numa amostra composta por consumidores com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos, que foram observados em lojas de Valladolid, Espanha, e de Bragança, Portugal. A investigação baseou-se na combinação de métricas de neuromarketing, como a resposta eletrodérmica para medir a conexão emocional, a análise do foco visual para avaliar a atenção e a predisposição para regressar à loja, como indicador de engagement e fidelização. Além disso, foram examinados fatores visuais como a sinalética, a disposição de produtos em loja, a iluminação e até os percursos no interior da loja.

Os resultados gerais evidenciaram uma diferença significativa entre os dois países. As lojas em Espanha apresentaram um desempenho notável, alcançando uma média de 72% de conexão emocional, 54% de atenção e 50% de engagement com os seus clientes. Este desempenho reflete a capacidade destas lojas em criar ambientes visualmente estimulantes, com uma boa organização dos produtos, uma boa iluminação e um percurso intuitivo dentro da loja para o cliente. As lojas espanholas demonstraram uma forte capacidade de captar e manter a atenção do cliente, proporcionando uma experiência sensorial consistente e positiva. O público masculino, na faixa etária dos 35 aos 50 anos, revelou-se particularmente recetivo à experiência proporcionada pelo comércio espanhol.

Por outro lado, as lojas em Portugal apresentaram resultados mais dispersos e menos consistentes. A conexão emocional registou uma média de apenas 23%, a atenção 45% e o engagement situou-se nos 51%. Apesar de existirem alguns exemplos de boas práticas, como o caso do Centro Ótico, a generalidade das lojas portuguesas demonstrou fragilidades na criação de ambientes impactantes, com menor utilização de sinalética clara, menos cuidado na disposição dos produtos e uma menor aposta em estratégias de personalização da experiência do cliente. Também se verificou uma menor intensidade na utilização de elementos visuais e sensoriais que poderiam aumentar o envolvimento do cliente com a loja.

No que diz respeito à avaliação dos elementos específicos das lojas, foram analisados três aspetos-chave: os produtos, a decoração e o espaço para circulação. As lojas espanholas destacaram-se globalmente em todas estas dimensões, conseguindo criar ambientes que não só facilitam a navegação e a procura de produtos, mas também reforçam o impacto visual e a ligação emocional do consumidor ao espaço. Algumas lojas espanholas, como Wengue Interior Design, Centro Ótico, La Tinaja Salada, Karmens2 e Farmácia Dacio, foram apontadas como exemplos de excelência. Em Portugal, o Centro Ótico destacou-se pela qualidade da experiência proporcionada ao consumidor.

Com base nos resultados, foram definidas recomendações para ambos os países.

No caso de Espanha, apesar da boa performance, sugere-se um reforço na sinalização de produtos estratégicos e uma maior diferenciação visual para potenciar ainda mais o impacto junto do cliente.

Para Portugal, a prioridade passa pela aposta na personalização da experiência de compra, na reorganização espacial das lojas, na melhoria da iluminação e da decoração, bem como na criação de campanhas visuais mais atrativas.

Em síntese, o projeto ICCO demonstrou que a aplicação da neurociência ao comércio tradicional permite obter dados altamente relevantes sobre o comportamento do consumidor e, consequentemente, introduzir melhorias objetivas na experiência de compra. Enquanto o comércio espanhol evidencia uma maior maturidade na gestão integrada da experiência do cliente, o mercado português apresenta um elevado potencial de crescimento se investir na inovação dos seus espaços e na personalização do atendimento. O estudo confirma que o comércio de proximidade, quando assente numa estratégia informada por dados neurocientíficos, tem capacidade para reforçar a competitividade local e criar relações mais duradouras e satisfatórias com os seus clientes.

O projeto criou a Rede ICCO, uma plataforma de cooperação que pretende ser o ponto de encontro dos comerciantes das regiões de Bragança, Valladolid, Vila Real e Zamora, com o objetivo de promover a inovação, a partilha de boas práticas e o reforço da competitividade do comércio local.

 A adesão à Rede ICCO oferece aos comerciantes inúmeras vantagens, como o apoio institucional dos parceiros do projeto, acesso antecipado ao calendário de atividades e eventos de networking, a possibilidade de aceder à Plataforma Experiência-Cliente, onde podem consultar dados e tendências de consumo baseados na análise do comportamento do consumidor, e ainda a possibilidade de desenvolver planos de ação personalizados para melhorar a competitividade do seu negócio.

Ao integrar esta rede, os comerciantes estarão também a contribuir ativamente para o desenvolvimento económico e social das suas comunidades e para a revitalização do comércio de proximidade em territórios em risco demográfico.

Não perca esta oportunidade de fazer parte da transformação do comércio local. A inscrição é simples e está disponível em: 🌐 red.iccoredcomercio.eu.

Este site utiliza cookies da Google para disponibilizar os respetivos serviços e para analisar o tráfego. O seu endereço IP e agente do utilizador são partilhados com a Google, bem como o desempenho e a métrica de segurança, para assegurar a qualidade do serviço, gerar as estatísticas de utilização e detetar e resolver abusos de endereço.